A Fragilidade Psíquica da Força Bancária Brasileira

Há poucos dias da chegada do novo governo o Brasil precisa enfrentar um dos maiores abismos e desafios que gera desigualdade no país: o sistema bancário e seus juros abusivos.

Os dados recentes mostram que cerca de 80% das famílias brasileiras estão endividadas, mais de 10% não conseguiriam pagar suas parcelas e a imensa maioria não vê esperanças em quitar suas dívidas. O motivo é simples: O Brasil é o país com a maior taxa de juros reais no mundo.

“O Brasil lidera o ranking mundial de juros reais de dezembro, de acordo com levantamento feito pela Infinity Asset Management, que inclui 156 países.”

“Os juros reais representam a taxa descontada da inflação esperada para os próximos doze meses. Em seu relatório, a Infinity considera a inflação prevista no boletim Focus do Banco Central, de 5,33%”
“Com a Selic a 13,75% ao ano, os juros reais no Brasil alcançam 8,16%.” (veja fontes)

A taxa Selic por si só já é alta, quando vem para o mundo real, os bancos e os créditos, aí temos uma avalanche que cai sobre a cabeça de qualquer cidadão que se atreva a utilizar o sistema bancário para um empréstimo. Cheque especial e crédito rotativo (cartão de crédito) ultrapassam os 300% ao ano, enquanto no Japão (com taxa equivalente a Selic é de 0,1%) a taxa de juros anual máxima por lei varia entre 15 e 20%. Vão dizer que isso acontece porque é um país desenvolvido, poderia dizer que é por isso que é um país desenvolvido, uma nação de extensão territorial 22 vezes menor que o Brasil, cerca da metade da população brasileira, porém com um PIB quase 4 vezes maior.

O que diferencia essas realidades? – A educação e a retenção de talentos.

É fato que o Brasil avançou muito no acesso à educação, mas não em qualidade e quando atingimos não criamos condições econômicas para desenvolver.

Fernando Haddad, o futuro ministro da economia, em uma entrevista ao Gilberto Gil (Programa Amigos, Sons e Palavras) disse: “Tem 3 coisas que o mundo descobriu que são vitais para o desenvolvimento acesso à terra acesso, à educação e ao crédito (barato), são os 3 segredos do desenvolvimento econômico.”

Claro que é preciso uma mudança cultural, de educação também. O Japão tem um povo todo convertido para o bem comum, pelo asseio e cuidado ao bem comum, ao patrimônio e evidentemente em luta permanente contra corrupção e exorbitância da ganância.

Construímos um sistema bancário sólido, resistente à crises, mas que custam muito ao cidadão, prova disso é o tamanho que ele chegou as custas desses juros abusivos quase impagáveis. Não precisamos ir longe: 4 bancos brasileiros estão entre os 10 mais rentáveis do mundo, com lucro do sistema em cerca de R$ 140bilhões, no entanto entre os com maiores ativos nem aparecem na lista dos 20 maiores e em número de funcionários ficam ainda mais para trás.

Para entender: “A soma total de ativos é o valor total de todas as unidades fiscais relativas à propriedade da empresa, bem como o capital financeiro que consiste em recursos corporativos próprios, ativos do investidor, créditos interbancários e ativos recebidos de emissões de bônus. ( ) Além disso, indicadores bancários muito importantes são: lucros operacionais e claros, volume total de negócios e o número de departamentos e funcionários.”

Nessa lista dos maiores bancos os 4 primeiros são chineses, assim comparei o quinto com o primeiro da lista dos mais rentáveis: JPMorgan Chase (Ativos: US$ 3.841 bilhões, 250.355 funcionários) – Santander Brasil (Ativos:62 bilhões, 50.578 funcionários)

Se avaliarmos mais afundo, chegaremos à conclusão que bancos em outras economias precisam ampliar suas operações de varejo, criar vários produtos, empregar mais pessoal, enquanto no Brasil sua rentabilidade vem dos altos juros e taxas, diminuição de quadros e menores investimentos em ativos.

Evidentemente não vislumbro um sistema bancário frágil, pelo contrário, porém é obvio que a concentração de crédito, taxas normalizadas, pequena concorrência e ausência de empréstimos mais baratos em pouco tempo teremos um colapso, não do sistema bancário, mas de uma sociedade falida, o que levará a falta de desenvolvimento educacional, cultural, tecnologia e da saúde, principalmente psíquica.

Se de fato ao povo que se governa, quanto mais tardarmos em olhar para esses exorbitantes juros praticados nesse país, ainda mais adoeceremos.

Professor Santucci, político no sentido etimológico, estudante diletante de Filosofia. Psicólogo, Especialista em Marketing e Estratégias. Palestrante, Autor de livros e do blog de Vinhos mais antigo Brasil.

Fontes de pesquisa:

Endividamento das famílias Brasileiras: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2022-12/endividamento-atinge-789-das-familias-brasileiras-revela-pesquisa

Juros mais altos do mundohttps://einvestidor.estadao.com.br/comportamento/juro-real-mais-alto-mundo/ e https://clubedospoupadores.com/ranking-juros-reais

Cheque especial e crédito rotativo: https://www.creditas.com/exponencial/qual-banco-tem-a-menor-taxa-de-juros-para-emprestimo/#3

Taxas no Japão: https://auditoriacidada.org.br/seguidor-da-acd-no-japao-envia-dados-que-provam-que-la-existe-limite-de-juros/

Gilberto Gil (Programa Amigos, Sons e Palavras): https://www.youtube.com/watch?v=Ycomy9gKvAg

Lucro e Ranking dos Bancos mais rentáveis: https://www.infomoney.com.br/mercados/bc-lucro-dos-bancos-chega-a-r-138-bilhoes-nos-12-meses-encerrados-em-junho-de-2022/ e https://g1.globo.com/economia/noticia/2022/04/18/dos-10-bancos-mais-rentaveis-do-mundo-4-sao-brasileiros.ghtml

Ativos, bancos: https://pt.fxssi.com/top-20-maiores-bancos-mundiais e https://valorinveste.globo.com/produtos/fundos/noticia/2022/12/09/santander-espera-avancar-em-investimentos-no-brasil-diz-chefe-global-da-gestora-do-banco.ghtml

Publicado por Alexandre Santucci

Escrevo, comunico!

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