Cinismo Iluminado

por Alexandre Santucci e Solange Duarte

“Sábio é aquele que conhece os limites da própria ignorância.”
Sócrates

Recentemente estávamos, em família, dialogando sobre esse conturbado momento político em que nos encontramos no Brasil e no mundo. Por alguma razão acabamos por trazer à baila a filosofia.

Em realidade o que mais fazemos em determinado momento etílico é filosofar (assim se torna um simpósio – bebemos juntos à sabedoria), mas e se filosofar, de fato, estivesse presente nas escolas, nas casas, nos bares, se remontássemos os tempos das germinações do saber, os seminários?

Dialogar parece matéria rara nesses tempos bicudos, se não perdêssemos tanto de vista as origens das coisas, como a do próprio diálogo (que quer dizer através da palavra, do pensamento, da razão – dia+logos), talvez se nos interessássemos mais em ser que parecer, teríamos mais êxito.
Voltando ao diálogo, ele só pode existir entre, pelo menos, dois, desde que estes se entendam pela razão, respeitem as falas, as opiniões, senão é monólogo (única palavra – mono+logos).

Resolvi abordar o tema depois de ver um comentário, no facebook – se não me engano, relativo ao obscurantismo X iluminismo. Não sou filósofo, mas me interesso pelo tema, então a referência, dada no comentário, pelo fim da era das trevas, do absolutismo, substituído pelo pensamento cartesiano, propõem dar um fim aquilo que estava velado, obscuro, ou a mentira em detrimento da luz, da verdade, melhor traduzindo o obscuro é a direita e o iluminado a esquerda.
Muito curioso é que o iluminismo é a porta que se abre para a revolução francesa, mas também para a industrial e posteriormente o tão contestado liberalismo. Não só isso, evidentemente, surge as artes como forma de expressão e muitas outras conquistas para a humanidade.

cinismo iluminadoSinceramente preferia destacar os Cínicos, infelizmente vulgarizados pelo pensamento moderno, pois para quem não sabe os cínicos, ou como cães (tradução do grego), foi uma escola pós-socrática que acreditava na prática da virtude para alcançar a felicidade, contestavam qualquer relação que envolvesse dinheiro, poder, ou fama. Eram chamados de cães, pois, dentre outras razões o cão é um animal exigente que pode distinguir entre os seus amigos e inimigos, mas isso é outra história…

Como o ponto de partida foi o iluminismo e a retórica afirmação da esquerda como iluminista e o obscurantismo como direita, me vi refletindo sobre isso e também sobre o nazismo (que quer dizer nacional socialismo) e o fato de se atribuir historicamente como um partido de direita. Vi também que o ditador chileno é semelhante ao candidato brasileiro de “direita” e que a Venezuela é uma democracia…

Nesse momento reflito a minha total ignorância ou de avaliar fatos históricos ou de não entender absolutamente nada do que se (tenta) conversar nesses dias que precedem a mais catastrófica eleição democrática da história do Brasil.
Fico sem saber, mas porque será que o genocida alemão usava uma pecha socialista para uma causa de direita, ou porque um democrata americano defende sua nação e recupera sua economia, garantindo o direito de seus compatriotas. Pergunto-me ainda, que tipo de democracia resiste a injustiças jurídicas em detrimento ao assédio de grupos específicos, ou o que está de errado em governar para a maioria?
Será que ao invés de pensarmos em país dividido, não deveríamos pensar que estamos sendo usados como massa de manobra, digo como nação, não individualmente, e o que de fato ocorre é uma enxurrada de mentiras, jogos de cena, partidos que fingem fazer oposição quando de fato governam entre si sobre seus próprios interesses (veja FHC e Lula)?
Mais! Será que está tudo tão errado e nessas décadas livres não avançamos nada democraticamente? Não podemos mais cobrar a classe de representantes da vida política a não ser nas urnas?  Se não podemos cobrar, porque ninguém dá mínima bola para as eleições menores? Ou se esquecem de que nestas eleições, além de escolher um candidato para presidente, ainda se escolhe um deputado federal, um governador, um deputado estadual ou distrital, e dois senadores?

Corro em me explicar no limite da minha ignorância: dias atrás um amigo me disse que a direita vai desestatizar tudo, lhe perguntei, se não foi a direita quem estatizou?
A resposta é que não dava para conversar comigo.

Quando recebo ou percebo essa afirmativa entendo que o “não dá pra conversar” na maioria das vezes quer dizer, você não concorda comigo, então não serve!
Oras isso não é um diálogo, um debate racional de ideias em prol da vida pública?
O homem é um animal político, esse é um conceito grego. Polis, ou cidades ou organização social é o local onde vivem os políticos, todos nós, assim quando nos referimos ao termo estamos falando de todos nós. Os candidatos são nossos representantes políticos, aqueles que identificamos ou os atribuímos as necessidades para que a vida na polis seja justa, honesta e nos devolva o voto de confiança que demos a eles. Por que não posso debater, dialogar sobre a vida na polis?

Para pensarmos além do muro, da esquerda ou da direita!

Publicado por Alexandre Santucci

Escrevo, comunico!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.