Ele não Ajuda nas Contas: Egoísmo, Falta de Entendimento e Cumplicidade?

 

“Tenho 39 anos, 3 filhos, 1 mora com o pai e o outro mora com minha mãe e a caçula está comigo , me visitam com frequência assim como minha mãe e minha irmã (tem as chaves) que tem acesso livre a casa que já era alugada por mim antes de irmos morar juntos. Para vivermos juntos ele teve que bater de frente com a família pois só tinha 25 anos e sua mãe assim como seus irmãos achavam que não tinha idade para assumir tantas responsabilidades além de dizer que eu só estava com ele para que bancasse minha dividas. Conclusão nossos problemas realmente começaram quando depois de sairmos de uma instituição que era emprego temporário tivemos que rever nossos gastos e contas, até então só eu quitava as dividas porque não quero ficar na dependência de ninguém, sempre fui assim nos meus relacionamentos, mas sempre o bom senso prevaleceu e quem estava comigo me ajudava.

Conclusão ele arrumou por conta da pressão um emprego qualquer que exigia muito pagava pouco, havia riscos , e ele tendo superior não era o mais certo mas era o que precisava naquela hora, conclusão eu mesmo fazendo meus bicos continuei pagando as dividas sozinha. De Abril para cá depois de muita conversa , brigas e tudo mais ficou acertado que seria tudo meio a meio, conclusão ele só paga o aluguel, não paga a tv a cabo pq para ele é luxo,e tbm ja cortaram pq desisti de pagar, o telefone diz que não vai pagar pq não usa só o celular mas a família dele liga para casa, a luz porque usa pouco e fica mais na mãe do que aqui e minha filha demora no banho e ele não é pai para pagar ,assim tbm é a desculpa da água. E de uns tempos pra cá mais falta do que vai trabalhar então pega uma mixaria mesmo. Vive omitindo os valores que recebe.

O ruim é que ele só resolve conversar quando eu faço greve de sexo ai fica muito puto, e digo que não há amor que resista as dividas. Ele tem uma poupança que já era dele e diz que não vai mexer pq é pro nosso futuro se ele não quer manter o presente como quer ter um futuro. Não quero que ele mexa e se tiver que mexer disse que devolveria para ele não quero que sai com uma mão na frente outra atrás e é uma situação momentânea.
Será que realmente existe amor da parte dele pq ele chora, fica ressentido, mas a situação não muda , eu vou lá e continuo quitando as dividas sozinha.
Será que você poderia me dizer se eu errei e onde errei? Desde já agradeço”
 
 
Entendo e entendo o que não consegue entender e realmente é uma questão de ENTENDIMENTO!
 
Caríssima, um relacionamento é entendimento, esse entendimento é fruto de uma série de acordos que se faz durante o estabelecimento das “responsabilidades” de cada um nos mais diversos campos que envolvem a convivência dos pares, ou de um grupo.
 
Para facilitar vou para uma relação de trabalho, quando você inicia uma atividade em um determinado emprego, você recebe algumas orientações básicas de “convivência”, como seu horário de trabalho, descanso, com quem vai trabalhar, aonde, se pode ou não usar o telefone e etc, depois recebe orientações sobre seu trabalho a ser desenvolvido, quem faz parte da sua equipe. No entanto é com o caminhar que vão se estabelecendo as regras mais importantes, que são as de limites.
 
É nesse momento que sentimos a pressão, e o real andamento de nosso relacionamento de trabalho. Conhecemos nossos chefes e colegas, seus humores e limitações, aí decidimos o que faremos nesse emprego, pois surge a questão “emocional”. Se nos ajustamos bem, nos adequamos ao que passou a chamar de inteligência emocional e realizamos nossos afazeres com disposição e principalmente adaptados a esse ambiente.
 
Acontece que muitas vezes nem todos estão adequados e começam a surgir muitos ruídos emocionais, diferenças, que acabam por ocasionar desequilíbrio e o famoso “stress”. Por não acharmos que temos uma relação de intimidade com o emprego, muitas vezes mudamos de emprego ou simplesmente pedimos demissão.
 
Qual seria a diferença dessa relação de trabalho para a de um casal? Supostamente na relação de casal há intimidade, há o gostar, aí o emocional é mais importante que o racional.
De fato, as relações são muito parecidas, o realmente diferencia é o sexo, no trabalho falta essa qualidade, que normalmente chamamos de “prazer de trabalhar”.
 
Aqui reside a sede de seu “des-entendimento“, quando tudo aparentemente vai mal, cortamos também o prazer do relacionamento, se o prazer de conviver estivesse em primeiro plano, teríamos o liquido para esfriar essas questões que nos deixam de cabeça quente. Um casal saudável se apresenta para as dificuldades com a firme intenção de superá-las em conjunto, e não em cada um por si, como parece que estão fazendo.
 
Estabelecer os limites é a tarefa mais difícil de convivência de qualquer tipo de relação e no caso de vocês é que fica muito claro. Não se trata do tipo de acordo e sim de respeitar, não deixar se permear pela culpa, ou infantilidade para fugir da responsabilidade. Se são um casal então ajam como casal e encarem juntos a falta de grana, ou a ausência dos filhos. 
 
Assumir a própria vida é o começo para ficar claro quais são os limites de cada um.
Não há outra saída a não ser conversar e identificaronde vocês estão se afastando, os problemas de uma casal não são os de grana, mas da fragilidade de se estabelecer o que são e o que querem individualmente, o que por outro lado provoca um alivio, pois isso feito temos espaço para curtir o melhor de cada um, sem pensar em controlar.
 
O caminho é avaliar o prazer que traz essa relação e começar aparar as arestas…
 
Seja Feliz!
Alexandre Santucci
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Publicado no SeR em  24 de Agosto de 2011 15:45

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